quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Sobre parto, babas e soberania

Acordou com dores, era terça-feira, eu ainda dormia.
Não deve ser nada... disse para desviar do assunto e continuar dormindo.

Acho que comi algo estragado, disse ela, e as dores continuavam, agora com intervalo de 5 minutos. Melhor passarmos no hospital para verificar antes de irmos para o trabalho.

Lá estávamos nós esperando a consulta quando veio uma contração inconfundível. "Não quero mais essa dor..." e o médico não abria a porta com imenso cartaz: "NÃO BATA!! AGUARDE." Eu fingindo tranquilidade disse: "Calma amorzinho, logo ele vai te atender..."
Até que enfim... e médico pergunta: "Rompeu a bolsa?" "Não doutor", "Então vamos examinar".
"Hum... Rompeu sim, e está com 8 de dilatação" ( para aqueles que ainda não estão familiarizado, isso quer dizer: ESTÁ NASCENDO!!!!)
E já foram levando ela pra dentro. Mas era pra ser Cesária, e já estava marcada para semana
que vem.
"Você já falou com o médico dela né Dr., ela vai fazer Cesária." "Vou ser sincero meu amigo, avisei o médico dela sim, mas não sei se vai dar tempo de ele chegar."
Enquanto encaminhava os papéis da internação deu tempo de falar com todo mundo... nossa como demora. Até que enfim consegui entrar... Fui direto para o centro cirúrgico onde uma enfermeira me entregou a roupa da minha esposa. Indaguei que queria assistir ao parto. "A essa hora já deve ter nascido, vai lá na janelinha para ver o bebê.
O quê? Não acredito! Fiz curso e tudo para assistir ao parto e agora isso?!
Enquanto esperava aflito por alguém com notícias... só ficava pensando que queria estar junto com minha esposa nesse momento. De repente aparece um médico. Todo paramentado e cheio de pranchetas nas mãos.
Nasceu? - eu eufórico.
Nasceu quem? - ele perguntou..
Meu filho!
Quem é a mãe?
Bárbara.
Ah, a do parto normal... ainda não.
Eu quero assistir.
Ah, você fez o curso?
Sim.
Onde está o diploma?
Sei lá, deve estar em casa... quero ver o parto.
Os próximos segundos foram imensos... pura tensão, vou perder o parto, de novo??
Ah, pode entrar, depois você entrega o diploma.
uuuuuufffffffaaaaaaaaaa.
Lá vamos nós. Já na entrada do centro cirúrgico, lá estava o médico da minha esposa, e ele me disse que ela estava tranquila e que iríamos tentar o parto normal mesmo.
Que loucura! Desde que falamos em ter filhos ela diz que jamais faria parto normal. Que tinha traumas de família, que era dolorido, que isso não era pra ela... e por aí vai, imagina quanto tempo ouvi essa história. E agora... parto normal? Beleza. Vamos nessa!
Uma espera interminável até que chegasse a hora em que eu devia entrar. Deu tempo de trazer a máquina fotográfica. Eu estava a postos. Máquina na mão, paramentado e ansiosamente esperando.
Chegou a hora. Me chamaram.
Força, força, força, fórceps, oh meu Deus... Nasceu!!!
Fiquei de pé paralisado, olhando para o bebê, com a máquina na mão. Não conseguia me mover. A residente perguntou. Você não vai tirar fotos?... Nem consegui responder. Só ficava olhando. Será que tá tudo bem? - enquanto eu pensava a residente "japonesinha", tomou a máquina da minha e começou a fotografar...
Maluquice... Recebi o filhão nos braços e comecei a voltar da viagem... haha



Glória a Deus! Ele é soberano, sobre a vida, sobre a morte e sobre os nossos planos... e que bom que é assim.
Às vezes pensamos que podemos interferir na soberania de Deus... já ouvi defensores do parto normal dizerem que fazer cesariana era interferir nos planos de Deus, porque estavam tirando a criança antes do tempo... mas experimentei que às vezes ele usa a cesária para nos ensinar sobre o Seu cuidado e soberania e outras vezes o parto normal serve para nos curar de nossos medos e traumas. O que importa é que em todos esses... o Autor da Vida é que é glorificado. Não tem como negar. É extraordinário, é sobrenatural... é realmente divino!
Seja bem-vindo meu filho amado!


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Não preciso de bandeira, preciso de toalha!

Aproximadamente 141.000 “pessoas que impactaram o mundo”. Esse foi o número de respostas que o Google me ofereceu na minha busca por pessoas relevantes que marcaram a história que poderiam me ajudar a encontrar caminhos para uma vida menos medíocre. Fiquei empolgado! Tinha bastante material para minha pesquisa.
Comecei com uma olhada por cima para identificar os mais interessantes. Logo me chamou atenção que entre poucas notícias sobre a atual crise mundial, havia uma imensa maioria de sites cristãos que diziam que alguém havia impactado o mundo, a maioria deles, porém, falava de seus próprios ministérios, denominações... eram quase textos institucionais. A empolgação inicial logo foi embora... mas eu não devo ser o único mal sucedido nesses sites de busca...
Resolvi insistir... achei um vídeo do Youtube com fotografias que marcaram a história, era em espanhol. Estavam lá... o terremoto de 1906 em São Francisco nos EUA, a grande depressão de 1936, Hitler na França, a morte do “ultimo Judeu de Vinnitsa”, a bomba atômica de Iroshima e Nagasaki, Inejiro Asanuma japonês socialista assassinado em 1960, Che Guevara capturado em 1967, Phan Thi Khim Puc menina vietnamita fugindo dos bombardeios em 1972... e seguiram mais algumas fotos chocantes de conflitos mais recentes. Mas não era bem isso que eu procurava. Acabei me entristecendo.
Os cristãos, principalmente em movimentos jovens, parecem ser os únicos que ainda acreditam que podem impactar o mundo com sua mensagem, mas por que não impactam? Sem recorrer às respostas prontas e rápidas, é difícil responder... porque a mensagem que carregamos sem dúvida é impactante.
Faço parte dessa geração... acusada de ser individualista, preguiçosa, imóvel, sem ideais, sem compromisso, sem uma bandeira, que não acredita nas instituições... e olhando assim parece que não vai ser essa geração que vai impactar o mundo. Mas somos fruto das outras gerações... que tinham a idéia politizada de um movimento nacional, que lutava pelos seu ideais, que acreditava nas instituições e brigava por elas, que assumia o compromisso até as últimas conseqüências... é... eu sou filho dessa geração... e talvez uma das conseqüências tenha sido essa... muita dedicação aos ideais e pouca presença paterna. Faço parte dessa geração... que viu os pais lutarem por instituições as quais não reconhecem mais e chegam ao final da vida vendo elas falirem tanto em seus propósitos como financeiramente.
Eu não quero repetir o modelo da geração que passou. Mas também não nego o seu esforço e caminhada... eu quero a sua bênção para ir além. Será que é possível?
Eu creio que a atual geração nasceu para este tempo! E precisamos assumir isso.
Muitas das coisas que dizem sobre nós são verdade... mas também é verdade que nesse mundo maluco onde as formas do passado parecem não se encaixarem, nos resta depender inteiramente de Deus. Nós temos mais facilidade em aceitar a intervenção poderosa do Espírito, porque não queremos fazer tudo sozinhos, e mesmo que isso possa parecer preguiça, é dependência. Realmente não acreditamos nas instituições, organizamo-nos muito mais em redes de relacionamento e interesse, graças a Deus! (Orkut? Twitter?, até podem ser utilizados, mas não são eles que irão tornar essas redes reais e relevantes, vejo eles mais como uma vitrine de uma rede de relacionamento real).
Somos diferentes em muitas coisas, mas iguais no amor a Jesus! Não vamos negociar os valores do Reino (tentaremos, e Deus há de nos trazer de volta quando falharmos)! Não vamos abrir mão da experiência pessoal com o Salvador, mas precisamos aprender a compartilhá-la de forma relevante a esse mundo. Não vamos negociar nossa integridade (livra-nos do mal)! Não vamos ceder à pressão de que existem muitos caminhos possíveis para a redenção (e tentaremos não ser preconceituosos)! Não vamos esquecer a Palavra! Não vamos negar a Fé! Não vamos nos esquecer da Graça!
Mas queremos ir mais fundo no relacionamento com o Pai. Queremos conhecer e viver esse Deus que nos dá identidade. Precisamos experimentar esse amor paternal para conseguir viver uma das coisas mais preciosas do Evangelho: O serviço!
Temos a tendência de só querer receber... e isso não é evangelho. Mas também não queremos servir como jumentos culpados. Queremos servir como fruto do relacionamento com o Pai, como filhos amados, aceitos, e que querem repartir o que tem recebido. Sem o peso de acharmos que vamos conseguir resolver tudo. Não queremos ser movidos pelo medo do inferno e pela culpa do pecado! Queremos ser arrastados pela liberdade do perdão, da comunhão viva e verdadeira com o Pai que nos ama. Não queremos realizar grandes obras com a força dos nossos braços, antes ser pequenos instrumentos para o poderoso agir do Espírito Santo. Não precisamos de bandeira, precisamos de toalha!

OBS: Este texto eu escrevi em 2009, e até foi publicado na Revista Soma. Resolvi publicá-lo aqui porque esse assunto veio a tona no Encontro de Empresários que participei nesse final de semana. Como sou parte da tal geração Y, escrevo sob essa perspectiva!